terça-feira, 30 de junho de 2009

Clichés

Por volta de 1820, na França, teve início a inserção de imagens nos textos (no processo industrial de impressão), o que mudou de maneira significativa a percepção do leitor. Então surgiram os catálogos de clichês oferecendo matrizes com uma grande diversidade de imagens: vinhetas, filetes, guarnições, símbolos, natureza, objetos, mapas, animais etc. As imagens que são postadas hoje foram extraídas de uma edição fac-similar do Catálogo de Clichés D. Salles Monteiro, do início do século XX (sem data precisa). A importância desse catálogo é a grande quantidade de imagens nacionais que ele possui, pois em geral eles provinham da França ou da Inglaterra, sendo renovados periodicamente. Aqui segue então uma pequena amostra desse catálogo de clichés brasileiro.






quinta-feira, 25 de junho de 2009

Rato de sebo

Está no livro Ex-Libris, de Plinio Martins Filho: "O ex-libris, sabe-se, é aquela etiqueta, colada geralmente nas primeiras folhas de um livro ou na contracapa, contendo o nome ou as iniciais do proprietário e podendo, através de uma imagem ou texto, indicar sua profissão, seus gostos, seu ideário, ou até (nem sempre) discreto lembrete a eventual surrupiador da obra. O ex-libris do desenhista e caricaturista francês Gus Bofa (1883-1968), por exemplo, indagava sarcástico: Esse livro pertence a Gus Bofa. / O que está fazendo aqui? ". A origem da expressão ex libris é do latim, significa "dentre os livros de", "da biblioteca de". Seguem alguns ex-libris para deleite.











terça-feira, 23 de junho de 2009

Garimpando vinil #3

Gostaria de ter feito projeto gráfico para algum vinil. Aquele quadrado de 12 polegadas foi (e é) suporte para muita obra genial. Elifas Andreato que o diga. Deitou e rolou na criatividade, produzindo mais de 300 capas a partir dos anos 1970. Criou algumas obras-primas e, dentre elas, cultivo um carinho especial por dois projetos – os LPs de Fátima Guedes, de 1980 (Fátima Guedes) e de 1981 (Lápis de Cor), produzidos com requintes de acabamento: um deles é encadernado com uma espiral, remetendo a um caderno de anotações íntimas. Esses projetos gráficos transmitem o frescor, a naturalidade, o romantismo despretensioso da cantora que despontara há pouco na MPB. Para sentir toda a delicadeza desses dois trabalhos, só manipulando, abrindo, folheando, descobrindo. Seguem aqui algumas imagens para que vocês possam conferir a criatividade do meste Elifas Andreato.

Fátima Guedes – 1980





Lápis de Cor
– 1981


sábado, 20 de junho de 2009

Um craque

Aqui no estúdio temos o privilégio de compartilhar espaço com o Jean Galvão e toda sexta-feira, observo o seu processo de criação da charge para a Folha de sábado. Dá para perceber o toque de angústia criativa que ronda a sua prancheta. Rafes e rafes postos de lado, anotações de idéias, leitura de jornal. Um dia avisei que postaria um de seus rafes aqui, acho que ele concordou. Estes desenhos aí foram feitos ontem, à caça de idéia para a charge que foi publicada hoje, sábado. O Sarney esteve por um triz...


quinta-feira, 18 de junho de 2009

Percy Lau

Creio que todos nós acima de 40 anos já convivemos com alguma ilustração de Percy Lau. Seus bicos-de-pena marcaram muito os livros escolares nos anos 1960/70. Peruano – nascido em Arequipa, 1903 – Percy Lau se tornou artista brasileiro. Morreu em 1972 no Rio de Janeiro. Ilustrou uma coleção de 10 volumes intitulada Viagem Através do Brasil, que pretendo mais à frente postar alguns exemplares. Hoje mostro seu trabalho para a clássica publicação do IBGE, Tipos e Aspectos do Brasil. A primeira edição desse livro começou a circular em 1939, época marcada por uma política cultural nacionalista, mas tenho duas edições já de 1966 (8ª. edição) e outra de 1975 (10ª edição ampliada). Certamente os desenhos precisos de Percy Lau transcenderam as marés políticas e trazem ainda hoje a vivacidade do Brasil interior. Magno


Garimpeiros
Travessia de gado
Canavial
O regatão
Vaqueiros de Marajó
O misto
Pescador de Pirarucu

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Popularesca e anônima

Tenho um entusiasmo especial pela expressão artística popularesca, pastiche, pop. Voltarei mais vezes neste assunto aqui, mas por ora quero mostrar algumas capas de literatura pulp de uma pequena coleção que tenho. São ilustrações anônimas, com uma donzela sempre em perigo. Veja como a capa do disco do Skank bebe nestas águas populares. Nota 10. (clique nas imagens para ver mais detalhes). Magno





terça-feira, 16 de junho de 2009

O eterno Barão de Münchausen

A escola do meu filho adotou a leitura do livro As Loucas Aventuras do Barão de Munchausem (sic). Coleção Meus Clássicos, Editora Salamandra, 2003, tradução e adaptação de Heloisa Prieto, ilustrações de Laerte, 72 páginas. Quando vi o livrinho, admirei: muito diferente daquele que eu lia quando criança lá pelos idos de mil novecentos e tal. Eu viajava numa edição da Editora Globo, 1953, organizada por Gottfried August Bürger, ilustrações de Gustave Doré, 200 páginas. Recentemente consegui uma edição francesa, de 1887, também ilustrada pelo genial Doré. Sem saudosismos, de peito aberto, comparei as edições e coloco aqui algumas imagens para que você também possa comparar. Levam-me a pensar sobre o empobrecimento geral de conteúdo e ilustrações. Para vê-las melhor, clique sobre elas. Magno





segunda-feira, 15 de junho de 2009

Atelier de bolso #2





Bacana de criação é que, quando temos um trabalho a ser feito, não adianta desligar o computador, fechar a porta do escritório e ir embora pra casa tomar um banho e mergulhar na TV. A gente tenta se distrair, mas o fantasminha do job fica grudado no ombro igual aquele mico da propaganda da Tigre. A qualquer hora ou em qualquer lugar pode vir a criação, de tanto você já ter "respirado" o trabalho. Por isso tenho usado bastante o iPhone para registrar as primeiras idéias que surgem. Aqui mostro uns rafes de cartaz para uma feira, feitos no app "Pollock" do iPhone  e também a ilustra finalizada só que feita à mão com recortes de papel.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Atelier de bolso

Por falta de tempo ou de espaço, ou por mera preguiça de lavar
pincéis, organizar tintas e preparar suportes, há tempos me tornei um
pintor (ou desenhista) bissexto. Mas agora voltei ao front! Tchaaaan!
Graças ao iPhone aproveito bem aqueles momentos que poderiam ser
chatos (esperas em fila e consultórios por exemplo) e fico revendo
algumas lições de pintura ou desenho. Mais livre que nunca. Estas aí em cima foram feitas a dedo na telinha.