quarta-feira, 29 de julho de 2009

Um baiano da Argentina

Em 1955 foi lançada, pela Livraria Progresso Editora, uma série de 10 livretos intitulada Coleção Recôncavo. Ela aborda temas variados da Bahia, com uma breve introdução a diversos desenhos de Carybé. Hector Julio Páride Bernabó, ou Carybé (apelido que ganhou no Brasil), nasceu em 1911 na Argentina e naturalizou-se brasileiro. Morreu em Salvador em 1997 durante uma sessão num terreiro de candomblé. Com traços de alta precisão e elegância, Carybé ilustrou magistralmente os costumes baianos. Hoje faço uma postagem com amostras do caderno número 2, cujo tema é o Pelourinho. Aos poucos postarei todos os cadernos.









sexta-feira, 17 de julho de 2009

Tom Zé

"Dudu, bidu, bidu, bi, mama água
dudu, bidu, bidu, papá, dá dá - a
Quando eu cheguei das estrelas
entrei na Terra
por uma caverna
chamada 'nascer'
e eu era uma nave
uma ave
da ave-maria
e como uma fera
que berra
entrei na atmosfera"
Assim começa a viagem do LP Nave Maria (Tom Zé, 1984). No encarte do vinil, consta o seguinte crédito: "Capa e parto depois de vinte portas – Elifas Andreato". Pois é, mais uma obra simplesmente genial do artista gráfico que se deixou levar pela jornada visionária de Tom Zé, criando uma capa totalmente metafórica: ao retirarmos o disco da capa fazemos um parto, nasce o som, espalha-se a poesia inquieta, espevitada, de Tom Zé.






quarta-feira, 15 de julho de 2009

Rato de Sebo #3

Comemorando o IV Centenário da Fundação de São Paulo, a Cia. Antarctica Paulista lançou um livreto (1954 – 16,5cm x 12cm) com reproduções de óleos dos pintores Diógenes Duarte Paes e Pedro Alzaga, pinturas pertencentes ao acervo da Companhia. São mais de 100 páginas mostrando a São Paulo do século XIX e da primeira metade do século XX. Olhando atentamente, percebemos que os artistas tiveram o cuidado de inserir anúncios dos produtos da Cia. Antarctica em suas pinturas, como parte do cenário. Quando não estão colocados em placas ou paredes, os anúncios aparecem nas carroças puxadas a cavalo ou até mesmo nos telhados. Estratégia inteligente para colocar a empresa dentro da tradição paulistana.




O Largo do Teatro, 1892

Rua 15 de Novembro, 1892

Largo da Sé, 1894

Pátio do Colégio, 1895

O Café Brandão, onde mais tarde foi erguido o Prédio Martinelli, 1904

Mosteiro de São Bento, 1909, ano de sua demolição

Viaduto do Chá, 1918

Avenida Ipiranga, 1950

terça-feira, 14 de julho de 2009

Tintin, o filme

Encontrei num sebo dois álbuns intitulados As Aventuras de Tintim no Cinema. Sabia que fizeram adaptação de Tintin para o cinema com atores, mas até hoje eu não havia encontrado nenhum material impresso sobre o assunto. Foram feitos dois filmes: Tintin e o Mistério do Tosão de Ouro (1960) e Tintin e as Laranjas Azuis (1964). Direção de André Barret, produção de Jean-Jacques Vierne, com Jean-Pierre Talbot no papel de Tintin. Impressionante como conseguiram transpor as características físicas dos personagens dos quadrinhos de Hergé para a telona. Além da fiel aparência de Tintin, temos o Capitão Haddock, o destemido Milu, o professor Girassol, os investigadores Dupont e Dupond, todos muito bem caracterizados. No Amazon.com podemos comprar esses filmes em DVD na versão original, em francês.







domingo, 12 de julho de 2009

Atelier de Bolso #4

Explorar esta espécie de colagem com letras é estimulante. As formas são apenas álibi. Como disse-me certa vez Orlando Castaño, artista plástico e meu professor nos idos de 1983:
– A gente pinta o mesmo quadro a vida toda.






sexta-feira, 3 de julho de 2009

Rato de sebo #2

A Livraria José Olympio Editora publicou ótimas edições de nossos escritores. Uma delas é a coleção, em capa dura, da obra de José Lins do Rego. Lançada em 1961, traz belas gravuras de Luís Jardim. Nordestino de Garanhuns, o artista foi premiado pelo livro O Boi Aruá, sua obra mais conhecida, baseada em conto popular. Olhando essas cuidadosas edições, sinto falta de uma publicação que reúna as obras desses ilustradores brasileiros tão importantes e tão esquecidos.











quinta-feira, 2 de julho de 2009

Incursões

Vez em quando ocorrem-me alguns poemas. Em 1984 surgiu-me no sonho, prontinho, cristalino:
As pedras do meu céu
magras mulheres puxando o véu
e se transformando
- nuvens -
Naquela época, concretizei o sonho em pedra de cachoeira:








quarta-feira, 1 de julho de 2009

Estampas Eucalol

Em 1930 a Myrta, indústria de essências, começa a vender o sabonete Eucalol em caixa contendo 3 sabonetes e 3 estampas coloridas. Foi um estrondoso sucesso e as famosas Estampas Eucalol foram distribuídas até 1960, quando a embalagem do sabonete foi reformulada para sabonete individual. As imagens postadas abaixo, foram extraídas do livro de Samuel Gorberg (Estampas Eucalol, Imprinta, 2000), colecionador que possui todas as Estampas Eucalol, de todas as séries. As Estampas Eucalol foram cantadas em notas e versos pelo compositor nordestino Xangai:
Montado no meu cavalo
Libertava prometeu
Toureava o minotauro
Era amigo de teseu
Viajava o mundo inteiro
Nas Estampas Eucalol
À sombra de um abacateiro
Ícaro fugia do sol.
(...)