quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Poty

Napoleon Potyguara Lazzarotto, ou Poty, é o grande ilustrador de Guimarães Rosa. Claro que existem as capas despretensiosas das primeiras edições de Sagarana, feitas por Santa Rosa e os desenhos e xilos cheios de intenção do mineiro Arlindo Daibert, que não podemos ignorar. Mas Poty para mim ficou, desde a adolescência, irremediavelmente associado ao universo roseano. Filho de italianos, nascido em Curitiba (1924 - 1998), com 19 anos já tinha ilustrações publicadas em Lenda da Herva Mate Sapecada. Estudou na Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro e aos 22 anos foi para a frança, com bolsa de estudos, onde aprendeu litografia. Poty dominou também as técnicas do mural, da serigrafia, da xilografia e da pintura. Muitos críticos consideram os seus murais como o trabalho mais representativo de sua obra. Eu prefiro suas xilos e bicos-de-pena principalmente quando rodeados por textos de Guimarães Rosa. Seguem aqui algumas de suas ilustrações retiradas de duas edições de Sagarana, para compararmos os resultados que ele conseguiu a bico-de-pena (10ª edição) com as mesmas ilustrações em xilogravura (19ª edição). As duas soluções me fascinam: os bicos-de-pena pela fluidez dos traços, pelos meios-tons, a textura; as xilogravuras pela crueza, pela determinação e arrojo das áreas negras. Personagens que transitam pelo norte de Minas, sul da Bahia, tão belamente ilustrados por um artista do Sul.





















sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Saudade, 1919

Thales Castanho de Andrade, escritor piracicabano, tem como principal obra o livro Saudade, lançado em 1919. Este livro é objeto de alguns estudos acadêmicos sobre as relações cidade/campo, ruralismo/nacionalismo. É considerado um clássico por alguns estudiosos, um marco na literatura infanto-juvenil. Conta a história de... bem, não vou recontar o livro. Quero mesmo é falar sobre as ilustrações que o permeiam fartamente, de J. G. Villin. Elas nos enchem os olhos de maneira soberba, com alguns momentos de toques épicos. Montanhas, campos, árvores, casas, bichos – tudo nos fala em qual país se passa a história e nos reconhecemos ali. Hoje, querer estes valores numa ilustração soa como um pecado original. Saudade, nem pensar.






quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Atelier de bolso #5

Seguem mais alguns ensaios "pintados" na telinha do iPhone. Faço como uma colagem explorando a sobreposição de camadas para obter um resultado um tanto "sujo", mas com certo lirismo que as letras ajudam a alcançar. O grande barato é lidar com a limitação do tamanho físico do aparelho, ainda mais que tenho o hábito de fazer uma pintura gestual quando lido com materiais reais. Destes três painéis, gosto mais do primeiro: resultou numa imagem mais espontânea, mais precária, porém mais expressiva.



quinta-feira, 10 de setembro de 2009

J. U. Campos e os personagens do Sítio

Existe uma bela edição da obra completa de Monteiro Lobato em capa dura que contém, além das conhecidas (e deliciosas) ilustrações de André Le Blanc, também pranchas a cores pintadas por J. U. Campos. Jurandir Ubirajara Campos nasceu em São Paulo em 1903, foi para os Estados Unidos onde se tornou desenhista do New York Times. Quando voltou ao Brasil em 1930, contribuiu para a implantação de uma nova arte a serviço da propaganda. Monteiro Lobato era seu sogro e um dos grandes incentivadores do artista. Morreu em 1972, São Paulo. Aprecie algumas destas pranchas e veja como as atuais edições da obra de Lobato carecem de trabalho a altura desse passado histórico.






terça-feira, 1 de setembro de 2009

Eis o brilho

A minha última postagem, sobre as estampas coloridas a têmpera, rendeu-me um e-mail de leitor assíduo e exigente cobrando uma solução que possibilite visualizar o brilho feito a clara de ovo sobre as pinturas. "Que faça a coisa acontecer", encerrou ele o seu e-mail que me envaideceu por ter leitores assim, aguerridos. Bem, esperei o sol da tarde entrar no estúdio e consegui uns ângulos que demonstram o "verniz" das pinturas. Agradeçam ao exigente leitor este plus. De minha parte, está aqui o agradecimento e o abraço fraterno.